terça-feira, 16 de agosto de 2011

Destrui[ndo]r indivíduos

[Dedicado à Angela di Munno]

Traçamos nossos caminhos assim que descobrimos,
mesmo que de modo inocente, nossas preferências,
nossas inclinações. Começamos sem ao menos perceber.

Não existe um momento específico.
Independe da idade, do suporte familiar,
ou de qualquer outro detalhe externo.

Todos sabemos que existir não é lá muito difícil,
porém quando nos damos conta que esses caminhos já existem,
difícil mesmo, é sentir orgulho das formas que eles tomam.

Para existir só basta nascer.
Para viver precisa-se nascer,
mas não basta só existir.

Desenhar os caminhos independe da vontade própria ou alheia.
É como o pulsar constante do músculo cardíaco, não se tem controle.
Mas quando tiramos o direito de alguém de seguir o próprio caminho...


Seria o mesmo que ao longo dos anos, irmos acumulando pequenos ateromas
na parede dos vasos sanguíneos. O coração continua a pulsar, porém 
dia após dia deteriora-se. Destrói-se as fibras musculares irreconstituíveis.

É isso que se faz quando tenta-se impor a alguém, 
ritmo com passos maiores ou menores que o tamanho
e a largura dos caminhos, já desenhados, permitem...

Para matar-se um individuo, um ser humano,
não é necessário enfiar-lhe um punhal no músculo vital.
Seria, até mesmo, muita compaixão e bondade.

A dor das bolhas em carne exposta
de quem calça sapatos menores ou maiores que seus pés 
e ainda por cima é obrigado a seguir 
t  ro p eça  nd  o  e 

                camb
                        alean
                                 do 

por caminhos alheios,
é muito maior e perdura por muito mais tempo que a dor do punhal no músculo vital.


sábado, 13 de agosto de 2011

Post avulso. (Geração cursinho) [3]

Papeis.. listas... bedéis...
Tudo isso nos persegue
dsd as 7:10

qnt é a inscrição?
qnt é a viagem?
e o $ pro almoço?

o qq tá no edital?
vai dar tmp d vr tud e tal?
e o resumo d literatura
meu Deus q coisa obscura...

marcaram a data do vest.
disseram q cinética n vai dar..
o prof. ñ sabe explicar..
daí a gnt é q vai se estrepar...

ñ faz diferença.. 
p/vest. o negócio é estudar..
e depois rezar..  
pra cair só o q a gnt lembrar...

terça-feira, 9 de agosto de 2011

minha última redação entregada dia 09/08/11

 

Identidade individual X Identidade coletiva
             
                O conceito da palavra 'identidade' vem sendo objeto de estudos e interessa a vários ramos do conhecimento - por exemplo, à sociologia, à filosofia, entre outros. Porém a definição mais conhecida e adotada ao genérico é: Junção das idiossincrasias de seres animados ou inanimados culminando na diferenciação do mesmos, quer diante do grupo das diversidades, ou ante seus semelhantes.
               Em nós, seres humanos, a linha entre o individual e o coletivo é tão tênue que vem se tornando cada vez mais difícil discernir o que é parte de nós, nossa personalidade, e o que vem de influências externas. Fato que se dá pelo constante bombardeio, desde tenra idade, das diversas ideologias, vertentes e formas de comportamentos a serem seguidos. Assim, somos encurralados e levados a pensar que certos valores e atitudes fazem parte do padrão correto a ser adotado.
               Frequentemente deparamo-nos com grupos que por já possuirem valores estabelecidos, somente nos aceitam se nos sujeitarmos em prol de adotar os mandamentos da coletividade. Mesmo que isso signifique a total anulação da nossa individualidade, que é um dos valores fundamentais de todo ser humano, é o que se espera que façamos.
               Acreditar que somente teremos valor perante os grupos estabelecidos se possuirmos determinados bens ou se pensarmos como os demais, não levando em consideração o que somos (ou pensamos) de fato, culmina na negação de nossa personalidade, fazendo-nos marionetes da vontade de outrem. Isso leva-nos à infelicidade e o completo vazio existencial, ou ainda pior: à felicidade aparente, falsa.
                Não somos o que compramos, nem os programas que assistimos. Nossos deuses não são jogadores de futebol ou participantes de reality shows. Somos únicos, pensantes, e como tal, distorcemos a "realidade" em nosso favor. Quem mutila a própria personalidade, tende a pagar o alto preço da ausência de identidade, que nada mais é que a distância de si para esmorecer perante a identidade grupal, sendo tratado como mera engrenagem que gira a vontade alheia.

domingo, 7 de agosto de 2011

Post que mereceu um post (7) [sic]

Eu estava parada no meio do nada. Uma forte luz ofuscava a minha visão. Eu não conseguia abrir os olhos. Tentei caminhar, mas meu corpo não obedecia aos comandos do meu cérebro. Eu estava paralisada. Tentei respirar fundo, mas senti uma dor enorme no peito. A forte luz ainda me incomodava, estava lentamente me acostumando com a claridade. Tapei os olhos com as mãos e tentei abri-los novamente. Eles arderam como fogo. Quando finalmente consegui abri-los, percebi que tinha uma pessoa deitada no chão a alguns metros de mim. Tentei perguntar quem era, mas nem eu mesma pude ouvir minha voz. Respirei fundo e percebi que a dor no meu peito havia desaparecido. Forcei meus pulmões e minha garganta e consegui falar com uma voz baixa e rouca:

- Quem está aí?

Não houve resposta alguma. Tentei caminhar e meu corpo respondeu lentamente. Minhas pernas tremeram quando dei o primeiro passo e por um momento não senti o chão sob meus pés, parecia que eu estava flutuando. Mas o vôo não durou muito tempo. Eu me choquei no chão como uma pedra, me apoiando em minhas mãos e joelhos, sentindo uma dor enorme que parecia querer me rasgar ao meio. Levantei com dificuldade, me esforçando para ficar de pé. Respirei fundo e dei um passo firme. Consegui me manter de pé. Olhei para frente e a pessoa continuava imóvel no chão. Gritei novamente, mas foi em vão. Dei mais um passo à frente, caminhando em sua direção, tentando distinguir sua fisionomia. Ela me parecia familiar. Caminhei lentamente e com muito cuidado.
Quando me aproximei daquele corpo imóvel à minha frente, senti meu estômago embrulhar e minha cabeça girar. Uma angústia terrível se abateu subitamente sobre mim. Eu conhecia aquela pessoa. Minha garganta estava seca. Fiquei paralisada. Meu rosto estava estático com uma expressão indescritível. Meus olhos se encheram de lágrimas. Me aproximei e me inclinei sobre o corpo. Não pude acreditar no que eu estava vendo! Aquela pessoa imóvel, estirada no chão, sem nenhum sinal de vida, tão pálida que chegava a doer os olhos ao olhar para ela, era... eu!



 

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

dos porquês que as flores morrem..

Diziam que era bela.
Belezas dessas que precisam de remendados adornos.
Toda quinta-feira tomava seu remédio.
E passava sorvendo-me os últimos pedaços de infância.
Época que as calçadas eram feitas de verdades eternas.
E os pecados ainda ficavam para os abraços dos cobertores.
Quantas vezes eu amei a novela e a ponte que trazia em seu corpo.
Um dia atravessei a ponte e os lápis perderam as cores.
Nascia a poetisa que não queria nascer, a poetisa meia, a poetisa não.
Bem vindo piso frio, rosto seco que sossega todas as grades.
Bem vindo homem de bem, atalaia das horas sem pressa.
Pro inferno o intelectual! 
Necessito de uma ignorância que me compreenda.
Que me dê o calor de novas cicatrizes.
Enquanto não descobrirem que estou aqui calada á margem da linha.
E que o ponto final só existe na poesia para quem ler.

domingo, 31 de julho de 2011

O passado que sou eu.

As luzes apagam-se
sentidos confundem-se..
 - Será isso ilusão? - talvez não.

Essa musica que cresce
- de quem é? - eu mesma fiz?!
Presa em minha própria mente
já não mais, vivo o presente..

Estive presa no passado
que me ataca, traiçoeiro
estava tão errada...
Com lembranças engasgadas

Que me cercam sem cessar

Enrolei-me comigo mesma
No passado que já fui
E não consigo deixar de ser...

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Estou de recesso. 
Fui visitar papai e mamãe lá no meu planeta.
Abraços da extraterrestre!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

If todady was your last day..


" My best friend gave me the best advice
He said each day's a gift and not a given right
Leave no stone unturned, leave your fears behind
And try to take the path less traveled by
Like first step you take is the longest stride

If today was your last day
tomorrow was too late
Could you say goodbye to yesterday?
Would you live each moment like your last?
Leave old pictures in the past
Donate every dime you have?
Would you call old friends you never see?
Reminisce old memories
Would you forgive your enemies?
Would you find that one you're dreamin' of?
Swear up and down to God above
That you finally fall in love
If today was your last day "

Excerto da musica, If today was your last day. Nickelback.

domingo, 26 de junho de 2011

Post que mereceu um post (6) [sic]

Que sacada hen meu amigo?!
desenho do meu querido amigo terrestre Eduardo.


FHC maconha, Lula 51, E.P.L. blogs e Dilma mulheres!!!!

O mundo sem mim..

Laura, after the Crash. The helicopter she was traveling in crashed into an open, dry field and burst info flames, killing three of the six passengers on board, including the pilot. Laura survived, but barely. She was burned, crushed, and near death. She broke 45 bones. She was pulled from the burning wreckage by her hair. To this day, she still cannot walk. While there wasn't a part of her body that was unharmed, her spirit and determination to live a full, happy life remains stronger than ever. This image taken in a lush, green field is meant to signify her rebirth.
(Photo and caption by Judy Starkman).






     





  


Outro dia, fiquei pensando no mundo sem mim.
Há o mundo continuando a fazer o que faz.
E eu não estou lá. Muito estranho. Penso
No caminhão do lixo passando e levando o lixo
E eu não estou lá. Ou o jornal jogado no jardim
E eu não estou lá para pegá-lo. Impossível.
E pior, algum tempo depois de estar morto, vou ser
Verdadeiramente descoberto. E todos aqueles
Que tinham medo de mim ou me odiavam
Vão subitamente me aceitar. Minhas palavras
Vão estar em todos os lugares. Vão se formar
Clubes e sociedades. Será nojento.
Será feito um filme sobre a minha vida.
Me farão muito mais corajoso e talentoso do que
Sou. Muito mais. Será suficiente para fazer
Os deuses vomitarem. A raça humana exagera
Em tudo: seus heróis, seus inimigos, sua importância.

Charles Bukowski

domingo, 19 de junho de 2011

(Álvares de Azevedo e José Paulo Paes - post mortem)

Rio Tietê. Ponte do Piqueri, zona norte de São Paulo.


Zé Paulo
  (...) A propósito, sabe como a engenharia se refere aos túneis e às pontes?

Álvares não responde.

Zé Paulo
       Como obras de arte.

Álvares
       Eu não sabia.

Zé Paulo
        É isso que são os túneis, as pontes, as esquinas...
Lugares onde o tempo muda de corpo... Quando você está no
alto de uma ponte, tanto faz se você a atravessou daqui pra
lá ou de lá pra cá. O importante, quando você está no alto
de uma ponte, é estar... (escolhe as palavras com cuidado)
precisamente... no alto da ponte. É o momento mais difícil...
É como... respirar na ponta de uma agulha... como cavar
um túnel: você o atravessa ao mesmo tempo que o constrói... 

excerto de UMA NOITE EM CINCO ATOS, Alberto Martins.