domingo, 20 de fevereiro de 2011

Silêncio...



"O silêncio é um momento vivificante de graça,
em que a criatura se cala, mas o espírito fala"
Calar sobre sua própria pessoa,
é humildade.
Calar sobre os defeitos dos outros,
é caridade.
Calar quando a gente está sofrendo,
é heroísmo.
Calar diante do sofrimento alheio,
é covardia.
Calar diante da injustiça,
é fraqueza.
Calar quando o outro está falando,
é delicadeza.
Calar quando o outro espera um palavra,
é omissão.
Calar e não falar palavras inúteis,
é penitência.
Calar quando não há necessidade de falar,
é prudência.
Calar quando Deus nos fala no coração,
é silêncio.
Calar, diante do mistério que não entendemos,
é SABEDORIA!!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Post que mereceu um post (2) [sic]



Como um tigre, a manhã se aproxima.
Arma o bote diante do abismo.
Que universo é este?
Que Deus me guia?

Mastigo estrelas quentes como brasas,
me queimam a língua, como uma palavra.
Saco a morte do bolso,
atiro contra o enigma.

Carrego a minha cruz às costas, com galhardia.
Beijo a cruz como aos lábios de uma mulher.
O demônio me bafeja o calcanhar,
me cega os olhos cansados do caos cotidiano.

A árvore da eternidade tem as raízes para o ar.
Pássaros voam com ramos verdes no bico,
e caem pesados, estupefatos.
As águas vão e voltam, inúteis.

Além do véu
e dentro do espelho,
conheço quem sou: ninguém.
Espectro de outrem me habita. 
José Carlos Brandão  AQUI

domingo, 13 de fevereiro de 2011


"Se amor não é, qual é este sentimento?
Mas se é amor, por Deus, que cousa é a tal?
Se boa por que tem ação mortal?
Se má por que é tão doce o seu tormento?

Se eu ardo por querer por que o lamento?
Se sem querer o lamentar que val?
Ó viva, ó deleitoso mal,
Tanto podes sem meu consentimento.

E se eu consinto sem razão pranteio.
A tão contrário vento em frágil barca,
Eu vou por alto mar e sem governo

É tão grave de terror, de ciência é parca
Que eu mesmo não sei bem o que anseio
E tremo em pleno estio e ardo no inverno."

PETRARCA

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sinceridades...

imagem do post original
" Fingir ser o que não se é, 
aprender a educar gestos e olhares, mentir para amigos, 
criar histórias, esconder sentimentos, anseios e dúvidas. 
Vestir sempre, a cada dia, uma máscara de algo que não se é e nem se sente...
... A vida no armário destrói a pessoa. 
Você aprende a mentir como uma segunda natureza. 
O seu primeiro movimento é mentir. Para você, para sua família, 
para os amigos, para o chefe no trabalho, para a namorada. 
E uma hora você mentiu tanto, que já nem sabe onde está a verdade. 
Você já não pensa para tomar algumas atitudes, mas elas estão tão 
internalizadas que você faz sem perceber. E se magoa e magoa aos outros. 

Num ciclo sem fim de dor. "


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

'Donde quero chegar!

(casa de vô e vó!)
Pensei que somente meu querer poderia ao
céus me levar...

Sonhei um dia em lá chegar e que
fosse tão alto que de tão alto não
mais pudesse o chão avistar...

E imaginei que de lá faria uma oração em forma de canção, pro mundo inteiro escutar...

Pensei que o pé de mamão lá pudesse me levar,
então fui...
subindo...
subindo...

imaginando que quando no alto chegasse ninguém mais pudesse,
de lá,
me retirar...

Infelizmente, escolhi um muito pequeno que
do chão me pôde tirar, mas somente até
as telhas me levantar só pra eu ficar
                                                                               pensando no quão difícil será lá alcançar,
                                                                              
                                                                     sonhando com as surpresas que estão a me esperar
                                                                     imaginando como será quando aos céus eu chegar...

sábado, 29 de janeiro de 2011

Segundos de coragem [2]




... e de repente com  uma palavra,
uma frase, um sorriso, um gesto mal intencionado
toda a minha coragem que outrora se fragmentara, recompõe-se!

Aquela felicidade,
aquela certeza de que vai ficar tudo bem,
a força pra dizer; - Sim, por que não?!
tudo isso supita dentro de mim...

Nos meus olhos, labaredas de chamas
avisam que giros como estão posso conseguir tudo!

Beijos, tapas, brincadeiras, abraços, amaços
tudo se junta em uma só palavra; vontade...

Coragem...

Porém basta somente um segundo
pra que ela se esvaia novamente
no simples fato da lembrança,
uma pergunta...

-Coragem pra que? de que?

Então aquilo que chamo de inferno interno começa a gritar:

-Depois virão as consequências... lembre-se, haverá um depois...
Dormir na vontade as vezes é melhor que acordar no arrependimento...
Imagina o que eles vão falar se descobrirem?! Não vale tão a pena assim!
Raciocina... não é isso que você quer é? é esse o nome que quer carregar?

Então eu digo... - Espera... não, hoje não...



Segundos de coragem [1]

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Lá no fundo:

Já pensei que gostava...
Já pensaram que eu gostava...

E no fim eu não queria era nada!

Já pensei que tinha me arrependido...
Já perguntaram se eu tinha me arrependido...

E no fim eu não tinha me arrependido de nada!

Eu acho que sou complicada...
As pessoas continuam me achando complicada...

Mas no fim eu sou só um potinho cheio de surpesas que pra sair estão desesperadas!


domingo, 23 de janeiro de 2011

Das coisas que ainda não sei

5 de Espadas

5 de Espadas
                         Aprendendo a dar limites

O 5 de Espadas como arcano de conselho para este momento de sua vida solicita que você saiba se dar os devidos limites dentro do que você pode e do que não pode fazer, Mariana. Não ponha o carro na frente dos bois, nem assuma mais compromissos ou responsabilidades do que você (humanamente) pode. Não se superestime e aprenda a colocar limites em seus próprios movimentos. Agir com prudência agora é a chave, ainda que você se irrite e ache a prudência algo um tanto quanto “covarde”. Encare o que é possível fazer, antes de seguir adiante. Ao contrário do que você pensa, reconhecer e respeitar os próprios limites não é um ato derrotista e sim um ato adulto que lhe permitirá futuramente ultrapassar as coisas que lhe incomodam tanto interna quanto externamente.

Conselho: Aprenda a respeitar seus limites temporários.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Os outros momentos ( que não são os de coragem)


Sabe quando tudo parece estar perfeito,
mas é como se sua cabeça estivesse cortada no meio?

Quando tá tudo pronto, a festa tá linda,
os balões todos cheios, e você sentada lá
no canto com aquela sensação de medo?

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Eu vejo as cores...

[Tem coisas que eu queria não saber...
Tem coisas que eu queria não ter aprendido...
E tem coisas que eu queria não ter que ver].

 Eu realmente queria pensar em fitas...
coloridas, brilhantes, grandes, pequenas...

Pontinhos coloridos no céu 
cinza de fumaça,
eu sinto as cores 
que mesclam os pecados da noite...
O rasto da luxuria embriaga 
e impregna o uivo dos andarilhos!





Eu vejo o som fétido e liquido do suposto divino
se espalhando como praga em manhãs de domingo!
Como fumaça de veneno mortal, anjos caem, demônios sobem,
anjos morrem, demônios correm...


Cores se misturam
confundem-se,
confundem-me!

Já não sei o que é vermelho o que é azul
o que é bem o que é mal
e assim continuo olhando, apreciando e depreciando
os infindos feixes eletromagnéticos da tarde...

Verdade

"A purificação pelo sofrimento é menos dolorosa que a situação que se cria a um culpado por uma absolvição impensada."
                                     Dostoievski


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011



Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.

Mário de Sá Carneiro

sábado, 8 de janeiro de 2011

A teconlogia nos faz melhores?



Bill Gates me livre

Que dia! Não agüento mais estas redes de teletransporte! Até parece que voltamos ao “meu tempo”, aquela época, mais ou menos, de 2007, ou 2008, em que se tinha aquilo que costumávamos chamar de tecnologia. Que nada! Tudo sempre dava problema. As coisas não eram tão precisas como hoje em dia. Será?! Também não era para menos. Quase um século depois, havia mesmo muito o que mudar.
Apesar de todo esse avanço tecnológico, essas máquinas, de vez em quando, insistem em dar problemas. Coisa mais obsoleta! Como se não bastasse uma, esta é a segunda vez que isso me acontece. Da primeira, lembro-me bem. Acabava de me teletransportar para New Capital, aquela ilha que construíram no meio do Pacífico, e, quando dei por mim, estava calçada com apenas um sapato. O outro, descobri depois, fora extraviado para a rede Antártida-34. Dele nunca mais tive notícias.
Desta vez foi pior. Aliás, muito pior. De manhã, logo que acordei, convidei o andróide ZK para me acompanhar até a Estação Nuclear Terrestre, pois precisava resolver uns problemas. Após receber um delicado não, me lembrei de como era boa a época em que nós, os humanos, tínhamos controle sobre os sentimentos e as vontades desses robôs implicantes. Então, aprontei-me logo, pois iria sozinha e pretendia retornar a minha cuba o quanto antes. Programei o computador para ativar a rede de teletransporte e logo me desmaterializei. Quando cheguei à Estação, o estrago já estava feito.
Durante a reunião, comecei a sentir um cansaço inexplicável e uma dor horrível nas articulações. Só tinha uma explicação: as pílulas rejuvenescedoras de complexo antioxidante! Como o sapato elas haviam sido extraviadas para outra rede e, desta vez, eu nem quis saber qual. Comecei a sentir todos os sintomas de um velho, ser que nem mais existe, poderia sentir. Saí apressada rumo ao primeiro laboratório que encontrasse na minha frente. Entreguei meu chip, com todos os dados de meu metabolismo, à equipe de emergência para que, quase à pronta entrega, fabricassem as milagrosas pílulas.
Que dia! Envelheci uns bons anos. Mais algumas horas e estaria tudo perdido. Uma vida social inteira seria jogada pela janela. O que seria de mim? Uma velha em pleno século XXII! Um fóssil em pessoa, um animal em extinção. Gates me livre!