quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Além - Tédio




Nada me expira já, nada me vive - 
Nem a tristeza nem as horas belas. 
De as não ter e de nunca vir a tê-las, 
Fartam-me até as coisas que não tive. 

Como eu quisera, enfim de alma esquecida, 
Dormir em paz num leito de hospital... 
Cansei dentro de mim, cansei a vida 
De tanto a divagar em luz irreal. 

Outrora imaginei escalar os céus 
À força de ambição e nostalgia, 
E doente-de-Novo, fui-me Deus 
No grande rastro fulvo que me ardia. 

Parti. Mas logo regressei à dor, 
Pois tudo me ruiu... Tudo era igual: 
A quimera, cingida, era real, 
A própria maravilha tinha côr! 

Ecoando-me em silêncio, a noite escura 
Baixou-me assim na queda sem remédio; 


Eu próprio me traguei na profundura, 
Me sequei todo, endureci de tédio. 

E só me resta hoje uma alegria: 
É que, de tão iguais e tão vazios, 
Os instantes me esvoam dia a dia 
Cada vez mais velozes, mais esguios... 

Mário de Sá-Carneiro, in 'Dispersão'


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Pra um começo de semana.. e continuação da vida...





Mantenha a calma,
quem compreende o sentido da vida
sabe que nada tem inicio e nada
tem fim, portanto não fica angustiado.

Luta pelo que acredita sem tentar provar
nada a ninguem, guardando a calma
silenciosa de quem teve a coragem
de escolher o próprio destino!

domingo, 19 de dezembro de 2010

Pra vocês

Olá pessoas!

Já que é de praxe,

(mais eu realmente desejo)

Feliz natal e um próspero ano novo pra todos!!!

Obrigada aos que me leem aqui... Esse foi um ano
bastante produtivo pra mim dentro da literatura... (apesar de fajuta rsrsrs)

Ficarei fora por um tempinho, mas assim que der,
mesmo sumida darei um jeito de aparecer!

Um grande abraço aos amigos [vcssabemquesãovcs!]
e beijão da extraterrestre aqui,

Mariana Vargas.

sábado, 18 de dezembro de 2010

do bichodesetecabeças


não possuímos nossa pessoa


"Se queremos encontrar a nós mesmos, 
não podemos descer ao nosso íntimo; 
temos que ser buscados fora, sim, fora de nós. [...] 


Não possuímos nossa pessoa; ela nos sopra de fora, 
foge-nos por muito tempo e volta-nos num sopro."

(Emil Staiger em Conceitos fundamentais da poética)



do Blog bichodesetecabeças da .

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O que desejo que TODOS façam

Nossa, esse eu tenho que postar.
Não é só pra mim. É PRA TODOS.
(apesar de ter sido exatamente pra mim)...

RAINHA DE PAUS


Rainha de Paus

MANTER-SE FIEL A SI: CONDIÇÃO FUNDAMENTAL PARA O TRIUNFO

A Rainha de Paus emerge como arcano conselheiro para a sua vida neste momento, Mariana, sugerindo a necessidade de manutenção da fidelidade para com seus objetivos e ideais, por mais que todas as outras pessoas insistam para que você tome outros caminhos. A lealdade para consigo é condição fundamental para o sucesso neste momento. Persista e, por mais que você chegue a ter dúvidas de que irá conseguir, terminará obtendo o desejado – talvez não da maneira como você imaginava, mas de uma forma altamente satisfatória. Várias pessoas tentarão lhe convencer a abandonar seus caminhos, chamando de “tolice” os objetivos que você tem em mente. Ainda que você tenha de assumir uma postura não tão simpática, mantenha-se fiel ao seu desejo de alma.


Conselho: Manter a persistência é fundamental.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Ela em 1875, é meu espelho de hoje, 2010.

"... Seus olhos já não têm aqueles fulvos lampejos, que despedem nos 
salões, e que, a igual do mormaço, crestam. Nos lábios, em vez do cáustico
sorriso, borbulha agora a flor d'alma a rever os íntimos enlevos.
    Sombreia o formoso semblante uma tinta de melancolia que não lhe é
habitual desde certo tempo, e que não obstante se diria o matiz mais próprio
das feições delicadas. Há mulheres assim, a quem um perfume de tristeza idealiza.
As mais violentas paixões são inspiradas por esses anjos de exílio..."
            
                                                 ...


"... Era uma expressão fria, pausada, inflexível, que jaspeava sua beleza,
dando-lhe quase a gelidez da estátua. Mas no lampejo de seus grandes olhos
pardos brilhavam as irradiações da inteligência. Operava-se nela uma revolução.
O princípio vital da mulher abandonava seu foco natural, o coração,
para concentrar-se no cérebro, onde residem as faculdades especulativas do homem.
    Nessas ocasiões seu espírito adquiria tal lucidez que fazia correr um 
calafrio pela medula de Lemos, apesar do lombo maciço de que a natureza
havia forrado no roliço velhinho o tronco do sistema nervoso..."




fragmentos do primeiro capítulo de Senhora, José de Alencar.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Um brinde com as xicrinhas ao NOSSO HUMOR Eduardo!

AS DUAS VELHINHAS


Duas velhinhas muito bonitas,
Mariana e Marina,
estão sentadas na varanda:
Marina e Mariana.

Elas usam batas de fitas,
Mariana e Marina,
e penteados de tranças:
Marina e Mariana.

Tomam chocolate, as velhinhas,
Mariana e Marina,
em xícaras de porcelana:
Marina e Mariana.

Uma diz: "Como a tarde é linda,
não é Marina?"
A outra diz:"Como as ondas dançam,
não é Mariana?"

"Ontem eu era pequenina",
diz Marina.
"Ontem nós éramos crianças",
diz Mariana.

E levam à boca as xicrinhas,
Mariana e Marina,
as xicrinhas de porcelana:
Marina e Mariana.

Tomam chocolate, as velhinhas,
Mariana e Marina.
E falam de suas lembranças,
Marina e Mariana

                           Cecília Meireles, Ou isto ou aquilo.




sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

[Resume o que queremos]



" It doesn't have to hurt 
It doesn't have to sting
It doesn't have to burn
It doesn't have to mean a thing
It doesn't have to break
It doesn't have to fall
It doesn't have to tear we up
If we can take it to the wall....
...
It takes courage and strength 
to get out of the world
It takes courage and then some....
...
What's so precious?
So delicious,
That we can't even wait?
...
If we are young for a day 
then
We're young forever and ever... "
...
(ADAPTED) song - Burner by Jene Jensen.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

aiai... [contrataque ao poema "hubbler" Luís Araujo Pereira]

 
                                                                                     


Não fique na demência 
pelo 'brilho' das estrelas 
de Bilac. 

   
É deprimente,

pois quando o Sol nasce
todas caem transformando-se
em nada mais
nada menos
 que pedras...

   
                   
                                                                                                                                                                                                                                                                                                          
                                                   
                                                                     
                                                       


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Segundos de coragem.

              

As vezes por alguns segundos apenas
penso que seria mais fácil
se eu pudesse 'desencobrir' algumas coisas 
minhas pras outras pessoas.

Não são pessoas específicas..

Aquelas pessoas que passam nas ruas,
ou as que vivem no meu prédio,
as que vejo dentro dos carros quando o sinal fecha e eu passo,
tem também aquelas que eu ainda não conheço,
ou aquelas que tem algum vínculo comigo...

Qualquer um que me ver.

E são nesses segundos que me encho de coragem. 
Aquela coisa que quase explode no peito.
Aquela coragem de quem teve e tem respeito pelos 
caminhos comuns, mas foi forte o suficiente para encontrar 
uma brecha e fazer seu próprio caminho.
Seguindo-o sem necessidade da aprovação de ninguém.

E dai, procuro essas pessoas,
olho em volta, estão todas lá.

acho que me demoro muito olhando...


E dai esses segundos passam

e eu digo: "aqui não..."
ou tranco a porta,
ou fecho as cortinas,
ou tiro as mãos de repente,
ou finjo não estar sentindo,
ou corto o assunto,
ou não falo sobre,
ou peço paciência...

e assim continuo sendo "discreta".
(o que me custa caro em todos os outros segundos...)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Homenagem.

DEL.ineáveis in-DEL.icadezas...

Essa literalmente merece um post Tonho.
Orgulhemo-nos dos caminhos percorridos
que ao longo do tempo
estampam-se em nossa face...


terça-feira, 23 de novembro de 2010

:/

" - O problema é com você!"
" - Você que é o problema!"
" - Já reparou que você nunca aceita nada?"


O problema sempre está em mim... 
E a cada frase...
É ai que eu meu isolo.
Que ergo mais um muro.
                                 Aumenta um "foda-se" no meu vocabulário.

                            Desfaz pouco a pouco o 
                               irrisório que ainda em mim é imaculado...



sábado, 20 de novembro de 2010

                                                             Porém, 
                                                             continua sendo ruim
                                                             a sensação de " ter que decidir a 
                                                             vida inteira em 6h durante uma prova igual pra
                                                             todo mundo em um dia especifico do ano... "


E se eu não decidir direito?

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Nalgum lugar


Nalgum lugar em que eu nunca estive
Alegremente além
De qualquer experiência
Teus olhos tem o seu silêncio
No teu gesto mais frágil
Há coisas que me encerram
Ou que eu não ouso tocar
Porque estão demasiado perto
Teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
Embora eu tenha me fechado como dedos
Nalgum lugar

Me abres sempre pétala por pétala
como a primavera abre
Tocando sutilmente, misteriosamente
A sua primeira rosa
Sua primeira rosa

Ou se quiseres me ver fechado
Eu e minha vida
Nos fecharemos belamente, de repente
Assim como o coração desta flor imagina
A neve cuidadosamente descendo em toda a parte
Nada que eu possa perceber neste universo
Iguala o poder de tua intensa fragilidade
Cuja textura
Compele-me com a cor de seus continentes
Restituindo a morte e o sempre
Cada vez que respirar

Não sei dizer o que há em ti que fecha e abre
Só uma parte de mim compreende
Que a voz dos teus olhos
É mais profunda que todas as rosas
Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas 

Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas.

                                                                                  E. E. Cummings.