domingo, 19 de junho de 2011

(Álvares de Azevedo e José Paulo Paes - post mortem)

Rio Tietê. Ponte do Piqueri, zona norte de São Paulo.


Zé Paulo
  (...) A propósito, sabe como a engenharia se refere aos túneis e às pontes?

Álvares não responde.

Zé Paulo
       Como obras de arte.

Álvares
       Eu não sabia.

Zé Paulo
        É isso que são os túneis, as pontes, as esquinas...
Lugares onde o tempo muda de corpo... Quando você está no
alto de uma ponte, tanto faz se você a atravessou daqui pra
lá ou de lá pra cá. O importante, quando você está no alto
de uma ponte, é estar... (escolhe as palavras com cuidado)
precisamente... no alto da ponte. É o momento mais difícil...
É como... respirar na ponta de uma agulha... como cavar
um túnel: você o atravessa ao mesmo tempo que o constrói... 

excerto de UMA NOITE EM CINCO ATOS, Alberto Martins.

sábado, 18 de junho de 2011

Porque eu também penso no futuro...


*Na churrascaria.

(Garçom) - Olá senhor, qual carne você deseja?
(Cliente) - Pode me ver uma alcatra.
(Garçom) - Ok, Natural ou Sintetica?
(Cliente) - Como?! Ahh sim, pode ser sintética, minha esposa não come carne natural.
(Garçom) - Certo, e como preferem a carne?
(Cliente) - Boi berrando... quero dizer reação incompleta por favor...
(Garçom) - Ok,  nosso químico começará a fazer o seu prato.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Gerundismo I

" O gerúndio é a promessa da eternidade
que se espreguiça no presente.
Mesmo debaixo dos olhos da vida. "


Maria João Freitas

Do que vemos em silêncio...



















Entram-se os anos
Esvaem-se "       "
O novo vem
O velho vacila
Constroe-se o jovem
Destroe-se o antigo
A roda gira
O sapo coaxa
A vizinha vigia
E o velho
Ah, o velho
... segue continuando...

M. Vargas. (pra Malu)

terça-feira, 14 de junho de 2011

PSICOPATIA (doença para alguns...)



- Sangue, sangue... quero sangue! A voz dizia...
A cabeça rodava, assim como a pistola na mão suada...
- Não! Chega! Não vou fazer mais isso...
- Isso o que? De novo a voz...
- Não vou mais usar isso...
A voz: - Quer uma faca então?
- Sangue, eu quero sangue...
- Com a faca corte, com a pistola atire... não interessa
- Sangue... não, esqueça!
- Eles não são mais gente... pode acabar com eles...
- São crianças...
- Armadas até os dentes... roubando por aí.
- Não, não quero...
- Você vai fazer o que te digo... se não fizer, o sangue que vou querer é o seu...
- Aquele lá, com a lata de cola... atira nele...
- Não consigo fazer mira...
- Atira porra! (barulho de tiro)
- Legal...
- Peguei no ar... tomou pipoco no ar...
- Isso... sangue... bom garoto!

A voz satisfeita... parou de falar...
Ele então foi pra casa... escondeu a pistola...
Tomou banho e vestiu o terno
Estava na primeira fila do coral da igreja
Tudo bem...
Mas... ele sabe... a voz voltará amanhã...

domingo, 12 de junho de 2011

Dar /o/



Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca...
Te chama de nomes que eu não escreveria...
Não te vira com delicadeza...
Não sente vergonha de ritmos animais.
Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar...
Dar porque a pessoa te esquenta a coluna vertebral...
Te amolece o gingado...
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der hoje, vai dar amanhã, ou depois.
Tem pessoas pra quem você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho...
É não ter alguém para ouvir seus dengos...
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar.
Se você for chata, suas amigas perdoam.
Se você for brava, as suas amigas perdoam..
Até se você for magra, as suas amigas perdoam.
Experimente ser amada...

Luiz Fernando Veríssimo

sábado, 4 de junho de 2011

O EX-MÁGICO DA TABERNA MINHOTA

" Por instantes, imagino como seria maravilhoso arrancar
do corpo lenços vermelhos, azuis, brancos, verdes. Encher a noite
com fogos de artifício. Erguer o rosto para o céu e deixar que
pelos meus lábios saísse o arco-íris. Um arco-íris que cobrisse
a Terra de um extremo ao outro. E os aplausos dos homens de
cabelos brancos, das meigas criancinhas. "

excerto de O EX-MÁGICO DA TABERNA MINHOTA,
Murilo Rubião - obra completa.


Desprendimentos (1)

 
Eu perdi o meu medo, 
o meu medo da chuva
Pois a chuva voltando pra terra traz coisas do ar...
Apendi o segredo,
o segredo da vida
Vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar...

Viva!!








" Viver é decidir na neblina,
sabendo que o resultado só será
conhecido quando pouco restar a fazer. "

quinta-feira, 26 de maio de 2011

.

cartier-bresson
Derrière la gare Saint-Lazare




reflexo
Nas traseiras da Estação de Saint- Lazare, Paris 1932
       úmido
da cidade
          cinza

fachadas

          um cartaz
na parede
com o nome
Railowsky

un
monsieúr
             flutua
sobre a poça
da chuva

sur l'escalier

além
na torre
um relógio
crava cinco horas

c'est l'hiver
en 1932

PEREIRA, Luis Araujo, Minigrafias

domingo, 22 de maio de 2011

Como seria a capa da Veja em maio de 1888...

A blogosfera progressista (ou de esquerda/socialista/comunista/anarquista/democrática…) procura os autores (ou autoras) das magistrais capas do panfleto fascista da revista Veja sobre a Abolição da Escravatura, em maio de 1888.

(Capa da Veja em maio de 1888 – versão 1)



(Capa da Veja em maio de 1888 – versão 2)


As capas merecem um prêmio! Sugestões?
E mais: merecem ser registradas nos blogs e demais espaços da rede, para que um eventual ato de censura da Editora Abril não viole a nossa liberdade de expressão e apague essas criativas e geniais obras.
Recebi a primeira versão por e-mail e a segunda achei por acaso na web, justamente quando procurava o autor da primeira.
Não achei indicações de autoria. Se alguém souber algo a respeito, agradeço bastante desde já.


Fonte: Conexão Brasília Maranhão