"Tenho de proclamar a minha incredulidade. Para mim não há nada de mais elevado que a ideia da inexistência de Deus. O Homem inventou Deus para poder viver sem se matar."
Dostoievski
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
sábado, 29 de maio de 2010
Soneto

Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.
O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ousadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.
Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.
O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo, mar de enganos,
Ser louco c'os demais, que só, sisudo.
Gregório de Matos Guerra (Boca do Inferno)
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Qohélet

" Aprendi a ler na Bíblia de um crente.
Como eu, ele esperava o dia da morte num hospital de tuberculosos.
A leitura do Livro Sagrado me ensinou que o
homem pode pensar e, se for mais atrevido, ter desejos. "
O Livro dos Homens, Qohélet. Ronaldo Correia de Brito
Passagem que me fez refletir sobre a influência (ou não) daquilo que lemos...
(o personagem que disse essa frase é ateu. Ele aprendeu a ler na bíblia pois
era o único material que o "professor" possuia para ensina-lo).
Foi um conto marcante..
de muita superação.
sábado, 15 de maio de 2010
Anjos Caídos...

Anjos caídos, anjos perdidos
Anjos mortos, anjos esquecidos
Anjos que já foram, anjos que ficaram
Anjos que há muito tempo se mataram...
Asas negras, machucadas
Rostos pálidos, faces cortadas
Olhar triste lágrima de saudade
Anjos solitários, um anjo com medo
Anjos inocentes, um anjo que morreu cedo
Anjos depressivos, um anjo maltratado
Anjos tristes, um anjo abandonado
Um anjo suicida
Um anjo enterrado
Um anjo sem vida
Um anjo ao meu lado...
terça-feira, 4 de maio de 2010
Até que ponto aguentar?
domingo, 2 de maio de 2010
sábado, 1 de maio de 2010
Pedaços de mim...

Eu sou feita de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos...
Sou feita de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão!
Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci...
Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante!
Já
Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas...
Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar,
pensei em fugir para não enfrentar,
sorri para não chorar...
Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei...
Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo...
Mas continuo vivendo e aprendendo...
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
OLAVO BILAC - O PÁSSARO CATIVO.

Armas, num galho de árvore, o alçapão.
E, em breve, uma avezinha descuidada, batendo as asas cai na escravidão.
Dás-lhe então, por esplêndida morada, a gaiola dourada.
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo.
Por que é que, tendo tudo, há de ficar o passarinho
mudo, arrepiado e triste, sem cantar?
É que, criança, os pássaros não falam.
Só gorgeando a sua dor exalam, sem que os homens os possam entender.
Se os pássaros falassem,
talvez os teus ouvidos escutassem este cativo pássaro dizer:
"Não quero o teu alpiste!
Gosto mais do alimento que procuro na mata livre em que a voar me viste.
Tenho água fresca num recanto escuro.
Da selva em que nasci; da mata entre os verdores,
tenho frutos e flores, sem precisar de ti!
Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola de haver perdido aquilo que perdi...
Prefiro o ninho humilde, construído de folhas secas, plácido, e escondido.
Entre os galhos das árvores amigas...
Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?
Quero saudar as pompas do arrebol!
Quero, ao cair da tarde, entoar minhas tristíssimas cantigas!
Por que me prendes? Solta-me, covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade!
Não me roubes a minha liberdade...
QUERO VOAR! VOAR!..."
Estas coisas o pássaro diria, se pudesse falar.
E a tua alma, criança, tremeria, vendo tanta aflição.
E a tua mão, tremendo, lhe abriria a porta da prisão...
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