sábado, 15 de maio de 2010

Anjos Caídos...



Anjos caídos, anjos perdidos
Anjos mortos, anjos esquecidos
Anjos que já foram, anjos que ficaram
Anjos que há muito tempo se mataram...

Asas negras, machucadas
Rostos pálidos, faces cortadas
Olhar triste lágrima de saudade

Anjos solitários, um anjo com medo
Anjos inocentes, um anjo que morreu cedo
Anjos depressivos, um anjo maltratado
Anjos tristes, um anjo abandonado

Um anjo suicida
Um anjo enterrado
Um anjo sem vida
Um anjo ao meu lado...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Até que ponto aguentar?

Privar-se da existencia....
pode ser tanto a negação da vida,
quanto a aceitação da morte..

Mas talvez continuar existindo,
é que seria um completo, doloroso
e demorado suicidio...


sábado, 1 de maio de 2010

Pedaços de mim...




Eu sou feita de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos...

Sou feita de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão!

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci...

Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante!

Já
Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas...

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar,
pensei em fugir para não enfrentar,
sorri para não chorar...

Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei...

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo...

Mas continuo vivendo e aprendendo...

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

OLAVO BILAC - O PÁSSARO CATIVO.


Armas, num galho de árvore, o alçapão.
E, em breve, uma avezinha descuidada, batendo as asas cai na escravidão.

Dás-lhe então, por esplêndida morada, a gaiola dourada.
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo.

Por que é que, tendo tudo, há de ficar o passarinho
mudo, arrepiado e triste, sem cantar?

É que, criança, os pássaros não falam.
Só gorgeando a sua dor exalam, sem que os homens os possam entender.
Se os pássaros falassem,
talvez os teus ouvidos escutassem este cativo pássaro dizer:

"Não quero o teu alpiste!

Gosto mais do alimento que procuro na mata livre em que a voar me viste.
Tenho água fresca num recanto escuro.

Da selva em que nasci; da mata entre os verdores,
tenho frutos e flores, sem precisar de ti!

Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola de haver perdido aquilo que perdi...
Prefiro o ninho humilde, construído de folhas secas, plácido, e escondido.

Entre os galhos das árvores amigas...
Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?

Quero saudar as pompas do arrebol!
Quero, ao cair da tarde, entoar minhas tristíssimas cantigas!

Por que me prendes? Solta-me, covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade!
Não me roubes a minha liberdade...

QUERO VOAR! VOAR!..."

Estas coisas o pássaro diria, se pudesse falar.
E a tua alma, criança, tremeria, vendo tanta aflição.
E a tua mão, tremendo, lhe abriria a porta da prisão...